Esperanças de restos sentimentais
15 cigarros apagados à frente
Nada coerente.
Cafeína, sossego, nostalgia.
Indiferença, solidão, foi-se a paixão.
Toalha nos cabelos, confusão na cabeça.
5 graus ambiente, menos 30 internamente.
Palavras e expressões ausentes,
Quando se quer mostrar o que sente.
Meio-sorrisos falsos, meio-abraços indesejados,
Tentativas frustrantes de cessar pensamentos mal-tratados
Sono há tempos deixou de ser necessidade vital
Tornou-se alívio, paz, fuga habitual.
Fugas?
Não se sabe do que foge,
Não se sabe do que teme.
Teme a todos,
Teme o tempo
Teme a realidade, teme a crueldade.
O abstrato, teme o tato.
Teme a si mesmo.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
''If I leave now do you promise that you won't? Cause I could. I swear I could, I'd leave at your door several parts of me: skin, smell, heart, sighs, cry. I wouldn't take anything that could remind me. I'd leave it all so you could throw it away, kiss it, put it on an altar or burn it.''
It's a but like that, you know. I still didn't get an answer, but I need to write you. I think it's one of the most (''?'' I dont even have a adjective for it) of my day. It's an endless stubborness, a pushing through. And I need, damn, I need a spatial presente, you see? So I'm sending you thing so I can be there. In a e-mail box entrance, or in a dark hopeless look, so you can finally see me, get me together, leave me behind.It must be like that. I'm kinda afraid, it's just my impellings forces about you are so calming, I can't resist it. I'm not illogical. I send so you could like it, even if you hate it. I send so I can be there, again. As a shadow, but there. Be smiling. Lighting a cigarette and making a huge effort to read me. I'll be glad, even being sad. Glad about knowing you exist and in the right moment my thoughts happen, you may be also thinking or running over to this page, or anything else, a glass of water, it can be. I'll tell you in this piece of paper that I love you and it's to be understood, understand as a really good and happy thing, a thing that I couldn't explain even if I wanted to, but some of it is there, or even here, in each swallowed. Be aware that I suffer a little, sometimes. Be patient. Now I'm laughing in every possible way, I'm truely happy about writing you. (...)
I wanna send you special, spatial things. I wanna think you'll receive them. And realize that I'm sentimentally and still I'm showing my feelings to you, feeling naked, weaponless; take it (if you want to). I can feel firewell and good-bye touching my neck. In fact I don't feel bad around you, but I know you have a completely different life of what I desire from you. But I'm already crashing my enormous and temperamental ego exposing myself like that, and being sure you don't feel the same and more likely you won't. That hurts. My share of humbleness and devotion to the romantic causes ends here. A bloom, a smile, a hell up drinking, a song. Feel hugged. And thank you for giving me the chance to meet an incredible person like you. Be good, feed well. You have my heart.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Vício
Cigarro, sim, mas, uma
após outra, asfixiando-me
ao deliciosamente
adulterarem o ar –
álcool também, mas, pouco
a pouco, submetendo-me,
conforme eu me entorpeço,
à sua própria lógica –
açúcar, pois, mas, dia
a dia, deformando-me
perversas ao sabor
de seu letal sabor –
sexo, afinal, mas, cada
vez mais, pondo em perigo
meu (se é que ainda existe)
sistema imunológico –
mais do que tudo, embora
mereçam a advertência
de que à saúde causam
irreparáveis danos,
viciam-me as palavras.
[Nelson Ascher]
após outra, asfixiando-me
ao deliciosamente
adulterarem o ar –
álcool também, mas, pouco
a pouco, submetendo-me,
conforme eu me entorpeço,
à sua própria lógica –
açúcar, pois, mas, dia
a dia, deformando-me
perversas ao sabor
de seu letal sabor –
sexo, afinal, mas, cada
vez mais, pondo em perigo
meu (se é que ainda existe)
sistema imunológico –
mais do que tudo, embora
mereçam a advertência
de que à saúde causam
irreparáveis danos,
viciam-me as palavras.
[Nelson Ascher]
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Desaba(fa)ndo Devaneios Inúteis
Deveria me sentir alegre por ser naturalmente otimista. Confesso que sinto alguma inveja por pessoas à beira do desespero. Considere-me insana, mal-agradecida. Viver em um mundo abstrato regido por minha lua em leão e meu sol em aquário seria magnificamente confortável à maioria das pessoas, eu sei. Sem preocupações, sem espaço definido para tristeza inconstante. Acordar com preguiça, mas sorrindo internamente.
A angústia é como um companheiro leal. É diferente da calma passiva emocional, da falta de sentimentos, sejam bons ou ruins. É uma lida tediosa, sem horizontes. Frustrante. Nesse estado eterno de frieza sinto o mundo girar e girar no seu curso habitual. Entendo as dores do mundo, mas não compreendo. A trava no peito dura no máximo 60 horas em média 2 vezes em um ano. Faço de conta que vivo. Faço de conta que isso é normal. Faço de conta que não sou racional.
A angústia é como um companheiro leal. É diferente da calma passiva emocional, da falta de sentimentos, sejam bons ou ruins. É uma lida tediosa, sem horizontes. Frustrante. Nesse estado eterno de frieza sinto o mundo girar e girar no seu curso habitual. Entendo as dores do mundo, mas não compreendo. A trava no peito dura no máximo 60 horas em média 2 vezes em um ano. Faço de conta que vivo. Faço de conta que isso é normal. Faço de conta que não sou racional.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Uma vez tive um coração. Algo no percurso arrancou um terço dele. Arrancaram-me outro terço. Não tenho um coração partido neste momento. Tenho lacunas que nunca mais poderão ser preenchidas. Tenho meio fígado e um doze avos de pulmão. Tenho ansiedade, falta de auto-controle e mãos afoitas e tremidas. Olhos vazios, olheiras, dúvidas, mistérios. Tenho destino, tenho certeza. Tenho auto-piedade e muito exagero. Não tenho esperanças.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Lágrimas de Tempestade
Era calor. Era surpresa. Sentia-me até desconfiada por um de meus desejos mais ardentes estarem – Quase como resultado de um pedido à Fada Madrinha, quase como efeito de LSD – sendo realizados, exatamente no tempo em que eu estava contemplando a bandeira branca. A um passo de levantá-la.
Tamanha era descrença que naqueles dias tornei-me o oposto de Urano, havia abraçado todas as causas de setembro em mercúrio. Nem uma centelha daquela felicidade absurda me pertencia. Eu sabia que a estava roubando de alguém. Mas em minha mente cheia de armadilhas, trapaças e desculpas, de alguma forma (e não me pergunte como) eu ainda via uma forma de escapar da depressão pós-êxtase que me esperava gozando-se de gargalhadas maléficas e estridentes e urrando ao vento norte a minha fé em finais felizes – para usurpadores -. Conseguia girar em volta do mundo 10 vezes por segundo premeditando o que aconteceria no momento em que ele deixasse aquela porta. No momento em que eu estivesse sozinha. No momento em que os efeitos não-orgânicos deixassem de inebriar meu corpo, mente e alma.
Sou explosão, sou ação, sou improviso. Nunca gostei de cálculos, de contas, de resultados inflexíveis. Diante de tal situação meu instinto de sobrevivência emocional outra vez tentava em vão controlar as rédeas de minhas emoções. Quando a palpitação acelerada dentro de minha caixa torácica esmagava meu ego, eu sabia: a calmaria viera antes da tempestade. Minhas mãos tremidas e meus olhos inquietos sabiam que o céu se formando em escuridão acima da minha cabeça não era mera coincidência, era presságio. A manhã surgiu e com ela, lágrimas de antecipação – de uma certeza absolutamente concreta -, fadiga, martírio e algo que deveria se assemelhar com medo. Caiu a chuva. Forte, dolorosa. Lavei minhas mãos, mas não consegui retirar o peso da minha e só minha responsabilidade sobre o marasmo em que iria me encontrar a poucas horas dali.
Assim como no livro que foi escrito em minha memória durante as duas intermináveis 24h daquele feriado esquizofrênico – que deveria ter sido somente o habitual clichê do nosso sexo, drogas e rock ‘n’ roll – a tempestade finalmente deu vazão às minhas expectativas. Lá fora os anjos choravam, estavam desesperados. Aqui dentro, os demônios sorriam, estavam satisfeitos. Era frio novamente.
Tamanha era descrença que naqueles dias tornei-me o oposto de Urano, havia abraçado todas as causas de setembro em mercúrio. Nem uma centelha daquela felicidade absurda me pertencia. Eu sabia que a estava roubando de alguém. Mas em minha mente cheia de armadilhas, trapaças e desculpas, de alguma forma (e não me pergunte como) eu ainda via uma forma de escapar da depressão pós-êxtase que me esperava gozando-se de gargalhadas maléficas e estridentes e urrando ao vento norte a minha fé em finais felizes – para usurpadores -. Conseguia girar em volta do mundo 10 vezes por segundo premeditando o que aconteceria no momento em que ele deixasse aquela porta. No momento em que eu estivesse sozinha. No momento em que os efeitos não-orgânicos deixassem de inebriar meu corpo, mente e alma.
Sou explosão, sou ação, sou improviso. Nunca gostei de cálculos, de contas, de resultados inflexíveis. Diante de tal situação meu instinto de sobrevivência emocional outra vez tentava em vão controlar as rédeas de minhas emoções. Quando a palpitação acelerada dentro de minha caixa torácica esmagava meu ego, eu sabia: a calmaria viera antes da tempestade. Minhas mãos tremidas e meus olhos inquietos sabiam que o céu se formando em escuridão acima da minha cabeça não era mera coincidência, era presságio. A manhã surgiu e com ela, lágrimas de antecipação – de uma certeza absolutamente concreta -, fadiga, martírio e algo que deveria se assemelhar com medo. Caiu a chuva. Forte, dolorosa. Lavei minhas mãos, mas não consegui retirar o peso da minha e só minha responsabilidade sobre o marasmo em que iria me encontrar a poucas horas dali.
Assim como no livro que foi escrito em minha memória durante as duas intermináveis 24h daquele feriado esquizofrênico – que deveria ter sido somente o habitual clichê do nosso sexo, drogas e rock ‘n’ roll – a tempestade finalmente deu vazão às minhas expectativas. Lá fora os anjos choravam, estavam desesperados. Aqui dentro, os demônios sorriam, estavam satisfeitos. Era frio novamente.
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